quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Memórias de Infância, memórias para a vida!


Vamos pensar sobre as memórias da infância através das propostas de INSTALAÇÕES   =   “... que requer que o espectador entre na obra e a vivencie como um ambiente. É um tipo de teatro participativo sem atuação ... é impedir que a obra de arte se torne uma mercadoria vendável e compelir o público na obra nos próprios termos dela...” (Bird, Michael - 100 Ideias que mudaram a Arte)

Flavia Junqueira, paulista, transporta o observador para um outro tempo, para as fantasias infantis, para o lúdico, cenários fantásticos e efêmeros. A ideia  de efemeridade tem sido um poderoso  elemento da arte, neste caso específico, há um esforço da permanência, posto que o objeto arte se desdobra para além da instalação, se tangibiliza numa fotografia.


Chila Kumari, artista multimídia, nasceu em Liverpool mas suas memórias estão enraizadas nas tradições de sua família indiana, ela resgata o tuk-tuk onde seus pais vendiam sorvete e cobre a fachada do Tate, em 2020, com imagens vividas, em neon.

FUN but also makes you Think about



Denise Mendes Barbosa não é de grandes formatos, sua opção são os relicários, lugar destinado para guardar ou proteger coisas preciosas.

Os nomes têm imensa importância para a obra: Amor de Irmã (em cima) e Lembrando de Londres (embaixo). Nesta pequena caixa estão registradas as memórias ternas da artista, que de certa forma, podem dizer respeito também as memórias e histórias do espectador.


Carsten Holler, em 2006, montou no Tate Modern estas “serpentinas” com o objetivo de colocar em xeque a experiência tradicional do museu, que em tese, é silenciosa, séria e solitária. As pistas de tobogã espiraladas empurram os visitantes para situações sociais - uma arena de troca. Arte experiencial

Quanto ao resultado = é outra  questão !

Trouxe aqui artistas /obras que gosto, independentemente de valores de mercado, resgatei memórias que dialogam e fazem parte das minhas reflexões.

São AFETOS que me AFETAM !

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

URBANOGRAFIA ou Arte de Rua - uma voz anônima!


Tenho lido bastante sobre arte urbana/arte de rua, tema que muito me estimula, pois, as ruas disponibilizam superfícies com limites fluidos, prontos para receber desenhos e textos. O conceito de arte de rua engloba um certo anonimato, transita entre o lícito, o ilícito, todavia IRREVERÊNCIA é a palavra de ordem!

Os muros são páginas em branco, que se "oferecem" para admitir mensagens cifradas, imagens, cujos os temas são diversos: raiva, conjuntura política, amores...

Acredito que três nomes de artistas-grafiteiros ou grafiteiros-artistas abriram portas para esta importante manifestação no universo da ARTE: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring e Banksy.

BASQUIAT, um artista visionário que morreu aos 28 anos em 1988. Experimentei, num passado recente, a oportunidade de ter contato com parte de sua obra, com temas autobiográficos e fiquei bastante impressionada. Talvez, o que tenha me causado o maior impacto, refere-se ao item liberdade no exercício da pintura. Apesar de Basquiat ter dito que não era um grafiteiro, creio que há uma grande proximidade de linguagens: está presente os símbolos de rua e da rua, os questionamentos e principalmente uma insolência e desacato.

BASQUIAT

O humor é subjacente a obra HARING, que desejava integrar a arte à vida da cidade. Em 1980, iniciou desenhando em estações de Metrô de Nova Iorque, construindo imagens com ritmo, que possuíam grande personalidade. Desenhava ainda sobre objetos descartados na rua, fazendo deste conjunto uma engrenagem, em 1988 descobriu que estava com AIDS e levou para a cena a sua doença.

KEITH HARING

BANKSY, mantem, até o momento, o anonimato, imagino que tenha como objetivo corroborar com a ideia de ilegalidade da arte de rua. Suas “pichações” começaram a surgir em Bristol, na Inglaterra, no final dos anos 80. Utilizou a técnica de estêncil para garantir agilidade, seus desenhos possuem humor nas entrelinhas, porém carregados de conteúdo social e uma aversão aos conceitos de autoridade e poder vigentes

BANKSY

Os três artistas tiveram suas obras catapultadas para o espaço sagrado das galerias, e como reflexão, transcrevo a frase de Banksy: 

“A arte deve confortar os perturbadores e perturbar os confortáveis”

*** texto original na Revista Digital Conexão Decor

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

A Arte como forma de protesto !

A arte como uma voz relevante na sociedade.

Nick Cave, escultor, artista performista, bailarino e professor americano, diante de uma injustiça, em relação a um homem negro, um triste evento em seu país, se perguntou como é ser rejeitado ou menos visto.

No seu percurso cotidiano, a pé, onde atravessava ruas movimentadas e parques, começou a se interessar pela ideia do descarte, com o objetivo de construir uma nova forma – dando relevância e um novo sentido, aquilo que não tinha voz.



Nos parques e praças coletou galhos e folhas, e na medida que remexia  o material, um som era emitido, um som de protesto, um som para se tornar presente.



Soundsuits

De uma maneira delicada e sutil Nick Cave deu relevância ao que era insignificante porque ele ouviu com a alma, e encontrou uma maneira de expor sua própria dor.


quinta-feira, 28 de julho de 2022

Frida Kahlo - o encontro da ARTE com a VIDA

Encontrei n'O Diário de Frida Kahlo uma união da ARTE com a VIDA, onde "Tudo é biografia. Tudo é pintura" (Frederico de Moraes).

"Nos dez últimos anos de Frida Kahlo, período do entre 1944 e 1954, a artista mexicana escreve um diário, onde documenta, com pinceladas tensas e coloridas, o seu processo criativo, a sua luta política, as reflexões de sua vida trágica e conturbada, bem como o amor possessivo pelo muralista Diego Rivera.


Sempre visceral, Frida se expressava "com franqueza e sem reservas, empregando o  muito humor, intensidade e calor humano, como observou a historiadora Martha Zamora.

O Diário revela muito do espírito e do sofrimento da pintora, conduzindo o leitor a decifrar enigmas de sua arte, que, a cada ano, conquista novos admiradores em todo mundo". (texto de apresentação do Diário de Frida Kahlo)




terça-feira, 19 de julho de 2022

ARTE & MEMÓRIAS

Para falar de memórias, escolhi o artista britânico nigeriano, que admiro muito: Yinka SHONIBARE. 


Ele faz releituras incríveis e reivindica um lugar num mundo sem fronteiras, e de um modo peculiar, discute o colonialismo e identidade cultural nos tempos de globalização.

SHONIBARE se desloca do local para o global e do global para o local com muita elegância e um certo tom lúdico.

Como ele faz isto?

Resposta: Veste manequins, as vezes, com poses, inusitadas, com roupas bastante aristocráticas, da Era Vitoriana, porém com detalhe importante, os tecidos utilizados são do oeste do continente africano. O artista faz este embate entre tradição europeia e valores ancestrais africanos, com uma explosão de cores e de memórias.



Diante dos trabalhos de SHONIBARE é impossível não pensar e refletir sobre nossas próprias memórias!




terça-feira, 12 de julho de 2022

ARTE como Ferramenta para a Vida 4 - Efemeridade


 EFEMERIDADE = ter curta duração

A Modernidade acabou, e com ela a objetividade e a limpeza formal. Hoje vivemos, como muito bem define Zygmunt Bauman, a Pós Modernidade líquida, volátil, adaptável e por muitas vezes caótica. Transitamos numa sociedade que escancara a privacidade e valoriza a imagem, permeada por uma grande sensação de urgência.

A ARTE que muito nos orienta, se vê de modo conflituoso diante da efemeridade, posto que a obra de arte, teria como princípio, ser duradoura.

"Ao negar qualquer expectativa de que ela (obra) vai durar, a arte efêmera muda propositalmente a relação da arte e plateia... a efemeridade foi estrategicamente recrutada para minar o sentido material das obras de arte como objetos, cujo valor pode crescer com o tempo (investimento) ou avalizar ambientes sociais de elite com a sua presença". (BIRD, Michael. 100 Ideias que mudaram a ARTE)


Light Cycle, 2003 - Cai Guo Qiang
O artista iluminou brevemente o céu acima do Central Park de Nova Iorque. Na esteira de 11 de setembro, a exibição elaborada demonstrou que a pirotecnia, também pode ser construtiva e bela.


Amanda Willians, 2014
A  artista e arquiteta, afro descendente, que havia vivido neste bairro, pintou, sem qualquer permissão, todas as casas da vizinhança, pois uma escavadeira estava na eminência de apagar uma história, em nome do progresso.


Fica aqui a pergunta e reflexão:
Você se lembrará de mim quando eu for embora?







segunda-feira, 4 de julho de 2022

ARTE como Ferramenta para a VIDA 3 - MONET !

Claude Monet, atualmente conhecido e reconhecido com "PAI" do Impressionismo, nasceu em Paris, em 1840, filho de  um modesto comerciante, e desde muito cedo, desejou ser pintor sendo incentivado pela tia Mare-Jeanne Lacadre - uma amante da arte.


Impressão, nascer do Sol

Monet começou a vida profissional como artista comercial e caricaturista, e seu interesse pela luz e cor se deu quando ele descobriu as gravuras japonesas de Hokusai e a pintura de Eugène Boudin, que o incentivou a pintar ao ar livre, o que era pouco comum na época. Nesse período, foi estudar os paisagistas em Londres e ficou ainda mais encantado pelo tema.


Mulher com o guarda-sol

Monet encontrou um objetivo, um propósito, estudou, pesquisou, buscou bons parceiros e entendeu que a fotografia (recém descoberta) era libertadora.


Ponte Japonesa

E dessa maneira, encontrou uma sensação visual autêntica, na fugacidade do momento!

Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores

Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores : Gustave Caillebotte - The Floor Scrapers – 1875 – óleo sobre tela - Musée d'Ors...