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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Duas exposições - Algumas reflexões!

Esta semana, tive a oportunidade de visitar duas exposições bem interessantes, as quais me fizeram refletir sobre temas como construção e desconstrução, em contraposição a um universo onírico:

“Barrão e Josh Callaghan - são artistas da construção artesanal. Fazem tudo a mão. Sozinhos em seus estúdios, recriam e dão vida nova a objetos do mundo que já passaram pelo nosso cotidiano.  Reinventam o ordinário em composições que se contaminam entre si. Escultura em busca de uma rima boa .... Pedaços de coisas que são palavras...” (Raul  Mourão – curador da Exposição FALA COISA).

Josh Callaghan (parte)

Barrão

Em paralelo, numa rua bucólica do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, existe um lugar, chamado Espaço Movimento Contemporâneo Brasileiro, e no início de setembro, fui convidada a atravessar a porta de número 273, quando naquele momento, uma atmosfera onírica envolveu o meu olhar, onde cada imagem revelada, nos trabalhos  expostos de Mika Chermont, trazia consigo uma história.

Entre os tecidos, em leve movimento, “o não dito” nutre a testemunha-fruidor com poder e proteção - nos olhos e bocas. E os backlights dialogam com as paredes originais da casa, num discurso entre passado e presente, pontuado por uma nuvem de encantamento.



quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Memórias de Infância, memórias para a vida!


Vamos pensar sobre as memórias da infância através das propostas de INSTALAÇÕES   =   “... que requer que o espectador entre na obra e a vivencie como um ambiente. É um tipo de teatro participativo sem atuação ... é impedir que a obra de arte se torne uma mercadoria vendável e compelir o público na obra nos próprios termos dela...” (Bird, Michael - 100 Ideias que mudaram a Arte)

Flavia Junqueira, paulista, transporta o observador para um outro tempo, para as fantasias infantis, para o lúdico, cenários fantásticos e efêmeros. A ideia  de efemeridade tem sido um poderoso  elemento da arte, neste caso específico, há um esforço da permanência, posto que o objeto arte se desdobra para além da instalação, se tangibiliza numa fotografia.


Chila Kumari, artista multimídia, nasceu em Liverpool mas suas memórias estão enraizadas nas tradições de sua família indiana, ela resgata o tuk-tuk onde seus pais vendiam sorvete e cobre a fachada do Tate, em 2020, com imagens vividas, em neon.

FUN but also makes you Think about



Denise Mendes Barbosa não é de grandes formatos, sua opção são os relicários, lugar destinado para guardar ou proteger coisas preciosas.

Os nomes têm imensa importância para a obra: Amor de Irmã (em cima) e Lembrando de Londres (embaixo). Nesta pequena caixa estão registradas as memórias ternas da artista, que de certa forma, podem dizer respeito também as memórias e histórias do espectador.


Carsten Holler, em 2006, montou no Tate Modern estas “serpentinas” com o objetivo de colocar em xeque a experiência tradicional do museu, que em tese, é silenciosa, séria e solitária. As pistas de tobogã espiraladas empurram os visitantes para situações sociais - uma arena de troca. Arte experiencial

Quanto ao resultado = é outra  questão !

Trouxe aqui artistas /obras que gosto, independentemente de valores de mercado, resgatei memórias que dialogam e fazem parte das minhas reflexões.

São AFETOS que me AFETAM !

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

URBANOGRAFIA ou Arte de Rua - uma voz anônima!


Tenho lido bastante sobre arte urbana/arte de rua, tema que muito me estimula, pois, as ruas disponibilizam superfícies com limites fluidos, prontos para receber desenhos e textos. O conceito de arte de rua engloba um certo anonimato, transita entre o lícito, o ilícito, todavia IRREVERÊNCIA é a palavra de ordem!

Os muros são páginas em branco, que se "oferecem" para admitir mensagens cifradas, imagens, cujos os temas são diversos: raiva, conjuntura política, amores...

Acredito que três nomes de artistas-grafiteiros ou grafiteiros-artistas abriram portas para esta importante manifestação no universo da ARTE: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring e Banksy.

BASQUIAT, um artista visionário que morreu aos 28 anos em 1988. Experimentei, num passado recente, a oportunidade de ter contato com parte de sua obra, com temas autobiográficos e fiquei bastante impressionada. Talvez, o que tenha me causado o maior impacto, refere-se ao item liberdade no exercício da pintura. Apesar de Basquiat ter dito que não era um grafiteiro, creio que há uma grande proximidade de linguagens: está presente os símbolos de rua e da rua, os questionamentos e principalmente uma insolência e desacato.

BASQUIAT

O humor é subjacente a obra HARING, que desejava integrar a arte à vida da cidade. Em 1980, iniciou desenhando em estações de Metrô de Nova Iorque, construindo imagens com ritmo, que possuíam grande personalidade. Desenhava ainda sobre objetos descartados na rua, fazendo deste conjunto uma engrenagem, em 1988 descobriu que estava com AIDS e levou para a cena a sua doença.

KEITH HARING

BANKSY, mantem, até o momento, o anonimato, imagino que tenha como objetivo corroborar com a ideia de ilegalidade da arte de rua. Suas “pichações” começaram a surgir em Bristol, na Inglaterra, no final dos anos 80. Utilizou a técnica de estêncil para garantir agilidade, seus desenhos possuem humor nas entrelinhas, porém carregados de conteúdo social e uma aversão aos conceitos de autoridade e poder vigentes

BANKSY

Os três artistas tiveram suas obras catapultadas para o espaço sagrado das galerias, e como reflexão, transcrevo a frase de Banksy: 

“A arte deve confortar os perturbadores e perturbar os confortáveis”

*** texto original na Revista Digital Conexão Decor

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

A Arte como forma de protesto !

A arte como uma voz relevante na sociedade.

Nick Cave, escultor, artista performista, bailarino e professor americano, diante de uma injustiça, em relação a um homem negro, um triste evento em seu país, se perguntou como é ser rejeitado ou menos visto.

No seu percurso cotidiano, a pé, onde atravessava ruas movimentadas e parques, começou a se interessar pela ideia do descarte, com o objetivo de construir uma nova forma – dando relevância e um novo sentido, aquilo que não tinha voz.



Nos parques e praças coletou galhos e folhas, e na medida que remexia  o material, um som era emitido, um som de protesto, um som para se tornar presente.



Soundsuits

De uma maneira delicada e sutil Nick Cave deu relevância ao que era insignificante porque ele ouviu com a alma, e encontrou uma maneira de expor sua própria dor.


terça-feira, 19 de julho de 2022

ARTE & MEMÓRIAS

Para falar de memórias, escolhi o artista britânico nigeriano, que admiro muito: Yinka SHONIBARE. 


Ele faz releituras incríveis e reivindica um lugar num mundo sem fronteiras, e de um modo peculiar, discute o colonialismo e identidade cultural nos tempos de globalização.

SHONIBARE se desloca do local para o global e do global para o local com muita elegância e um certo tom lúdico.

Como ele faz isto?

Resposta: Veste manequins, as vezes, com poses, inusitadas, com roupas bastante aristocráticas, da Era Vitoriana, porém com detalhe importante, os tecidos utilizados são do oeste do continente africano. O artista faz este embate entre tradição europeia e valores ancestrais africanos, com uma explosão de cores e de memórias.



Diante dos trabalhos de SHONIBARE é impossível não pensar e refletir sobre nossas próprias memórias!




Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores

Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores : Gustave Caillebotte - The Floor Scrapers – 1875 – óleo sobre tela - Musée d'Ors...