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segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Mulheres na Arte – um capítulo à parte

 Iniciaremos esse capítulo no século XIX, que possui nos 100 anos de sua composição, as primeiras grandes transformações no mundo ocidental.

No ambiente das artes, são poucas figuras femininas que obtiveram destaques, no período em que viveram. Escolhemos Berthe Morisot - pintora francesa e uma das principais figuras do movimento impressionista, e por quem temos muita admiração.

Berthe Morisot

Ela nasceu em Bourges, França, em uma família rica, e desde jovem mostrou interesse pela arte. Morisot recebeu treinamento formal em arte e começou a expor seu trabalho no Salão de Paris.

Foi uma das primeiras artistas, a retratar a “mulher burguesa”, a feminilidade, o prazer da juventude e a maternidade. Pintava cenas da vida moderna, incluindo paisagens, retratos e cenas domésticas e íntimas, espaço pouco acessível aos homens-pintores.  

Mulher fazendo o toilette

O Berço

Morisot estava associada a outros artistas impressionistas, incluindo Manet, Monet e Renoir. Renunciou, em um primeiro momento, ao matrimônio, porque mulheres casadas, de determinadas classes sociais, não poderiam dedicar se a ofícios remunerados, porém a artista, tornou-se esposa de Eugène Manet, irmão de Édouard Manet, o que fortaleceu ainda mais suas conexões no mundo da arte.

Ao longo de sua carreira, Berthe Morisot enfrentou alguns dos desafios e preconceitos que as artistas mulheres de sua época enfrentavam. No entanto, persistiu e fez contribuições significativas para o movimento impressionista, entendeu o significado das rupturas e através de pinceladas vigorosas, seu trabalho continua a ser celebrado por sua inovação e sensibilidade.


Eugéne Manet, marido de Morisot

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Duas exposições - Algumas reflexões!

Esta semana, tive a oportunidade de visitar duas exposições bem interessantes, as quais me fizeram refletir sobre temas como construção e desconstrução, em contraposição a um universo onírico:

“Barrão e Josh Callaghan - são artistas da construção artesanal. Fazem tudo a mão. Sozinhos em seus estúdios, recriam e dão vida nova a objetos do mundo que já passaram pelo nosso cotidiano.  Reinventam o ordinário em composições que se contaminam entre si. Escultura em busca de uma rima boa .... Pedaços de coisas que são palavras...” (Raul  Mourão – curador da Exposição FALA COISA).

Josh Callaghan (parte)

Barrão

Em paralelo, numa rua bucólica do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, existe um lugar, chamado Espaço Movimento Contemporâneo Brasileiro, e no início de setembro, fui convidada a atravessar a porta de número 273, quando naquele momento, uma atmosfera onírica envolveu o meu olhar, onde cada imagem revelada, nos trabalhos  expostos de Mika Chermont, trazia consigo uma história.

Entre os tecidos, em leve movimento, “o não dito” nutre a testemunha-fruidor com poder e proteção - nos olhos e bocas. E os backlights dialogam com as paredes originais da casa, num discurso entre passado e presente, pontuado por uma nuvem de encantamento.



domingo, 4 de setembro de 2022

Uma artista além do seu tempo - CAMILLE CLAUDEL

Camille Claudel nasceu no interior da França e recebeu o nome de um irmão que nascera antes dela como homenagem, fato comum, naqueles tempos (mas eu considero estranho).

Aos 17 anos foi para Paris, para estudar na Academia Calarossi, onde Rodin foi seu professor. Camille se tornou modelo, assistente, amante e posteriormente rival (1883 -1892) de Rodin. Com 23 anos (por volta de 1887), ela já possuía pleno domínio de um estilo próprio.

O Abandono, 1888

Dando continuidade a essa linha do tempo, Camille sofreu um aborto em 1892 e se separou de Rodin, quando partiu para uma produção solitária, muito criativa!

A Valsa, 1895
Pensamento Profundo, 1898

Em 1913 foi internada, pois foi diagnosticada com transtorno mental. Recebeu pouquíssimas visitas, destaco a de sua amiga, Jessie Lipscomb, que insistia em dizer que Camille não possuía doença alguma. A artista ficou reclusa durante 30 anos, até sua morte.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Memórias de Infância, memórias para a vida!


Vamos pensar sobre as memórias da infância através das propostas de INSTALAÇÕES   =   “... que requer que o espectador entre na obra e a vivencie como um ambiente. É um tipo de teatro participativo sem atuação ... é impedir que a obra de arte se torne uma mercadoria vendável e compelir o público na obra nos próprios termos dela...” (Bird, Michael - 100 Ideias que mudaram a Arte)

Flavia Junqueira, paulista, transporta o observador para um outro tempo, para as fantasias infantis, para o lúdico, cenários fantásticos e efêmeros. A ideia  de efemeridade tem sido um poderoso  elemento da arte, neste caso específico, há um esforço da permanência, posto que o objeto arte se desdobra para além da instalação, se tangibiliza numa fotografia.


Chila Kumari, artista multimídia, nasceu em Liverpool mas suas memórias estão enraizadas nas tradições de sua família indiana, ela resgata o tuk-tuk onde seus pais vendiam sorvete e cobre a fachada do Tate, em 2020, com imagens vividas, em neon.

FUN but also makes you Think about



Denise Mendes Barbosa não é de grandes formatos, sua opção são os relicários, lugar destinado para guardar ou proteger coisas preciosas.

Os nomes têm imensa importância para a obra: Amor de Irmã (em cima) e Lembrando de Londres (embaixo). Nesta pequena caixa estão registradas as memórias ternas da artista, que de certa forma, podem dizer respeito também as memórias e histórias do espectador.


Carsten Holler, em 2006, montou no Tate Modern estas “serpentinas” com o objetivo de colocar em xeque a experiência tradicional do museu, que em tese, é silenciosa, séria e solitária. As pistas de tobogã espiraladas empurram os visitantes para situações sociais - uma arena de troca. Arte experiencial

Quanto ao resultado = é outra  questão !

Trouxe aqui artistas /obras que gosto, independentemente de valores de mercado, resgatei memórias que dialogam e fazem parte das minhas reflexões.

São AFETOS que me AFETAM !

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

URBANOGRAFIA ou Arte de Rua - uma voz anônima!


Tenho lido bastante sobre arte urbana/arte de rua, tema que muito me estimula, pois, as ruas disponibilizam superfícies com limites fluidos, prontos para receber desenhos e textos. O conceito de arte de rua engloba um certo anonimato, transita entre o lícito, o ilícito, todavia IRREVERÊNCIA é a palavra de ordem!

Os muros são páginas em branco, que se "oferecem" para admitir mensagens cifradas, imagens, cujos os temas são diversos: raiva, conjuntura política, amores...

Acredito que três nomes de artistas-grafiteiros ou grafiteiros-artistas abriram portas para esta importante manifestação no universo da ARTE: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring e Banksy.

BASQUIAT, um artista visionário que morreu aos 28 anos em 1988. Experimentei, num passado recente, a oportunidade de ter contato com parte de sua obra, com temas autobiográficos e fiquei bastante impressionada. Talvez, o que tenha me causado o maior impacto, refere-se ao item liberdade no exercício da pintura. Apesar de Basquiat ter dito que não era um grafiteiro, creio que há uma grande proximidade de linguagens: está presente os símbolos de rua e da rua, os questionamentos e principalmente uma insolência e desacato.

BASQUIAT

O humor é subjacente a obra HARING, que desejava integrar a arte à vida da cidade. Em 1980, iniciou desenhando em estações de Metrô de Nova Iorque, construindo imagens com ritmo, que possuíam grande personalidade. Desenhava ainda sobre objetos descartados na rua, fazendo deste conjunto uma engrenagem, em 1988 descobriu que estava com AIDS e levou para a cena a sua doença.

KEITH HARING

BANKSY, mantem, até o momento, o anonimato, imagino que tenha como objetivo corroborar com a ideia de ilegalidade da arte de rua. Suas “pichações” começaram a surgir em Bristol, na Inglaterra, no final dos anos 80. Utilizou a técnica de estêncil para garantir agilidade, seus desenhos possuem humor nas entrelinhas, porém carregados de conteúdo social e uma aversão aos conceitos de autoridade e poder vigentes

BANKSY

Os três artistas tiveram suas obras catapultadas para o espaço sagrado das galerias, e como reflexão, transcrevo a frase de Banksy: 

“A arte deve confortar os perturbadores e perturbar os confortáveis”

*** texto original na Revista Digital Conexão Decor

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Frida Kahlo - o encontro da ARTE com a VIDA

Encontrei n'O Diário de Frida Kahlo uma união da ARTE com a VIDA, onde "Tudo é biografia. Tudo é pintura" (Frederico de Moraes).

"Nos dez últimos anos de Frida Kahlo, período do entre 1944 e 1954, a artista mexicana escreve um diário, onde documenta, com pinceladas tensas e coloridas, o seu processo criativo, a sua luta política, as reflexões de sua vida trágica e conturbada, bem como o amor possessivo pelo muralista Diego Rivera.


Sempre visceral, Frida se expressava "com franqueza e sem reservas, empregando o  muito humor, intensidade e calor humano, como observou a historiadora Martha Zamora.

O Diário revela muito do espírito e do sofrimento da pintora, conduzindo o leitor a decifrar enigmas de sua arte, que, a cada ano, conquista novos admiradores em todo mundo". (texto de apresentação do Diário de Frida Kahlo)




terça-feira, 19 de julho de 2022

ARTE & MEMÓRIAS

Para falar de memórias, escolhi o artista britânico nigeriano, que admiro muito: Yinka SHONIBARE. 


Ele faz releituras incríveis e reivindica um lugar num mundo sem fronteiras, e de um modo peculiar, discute o colonialismo e identidade cultural nos tempos de globalização.

SHONIBARE se desloca do local para o global e do global para o local com muita elegância e um certo tom lúdico.

Como ele faz isto?

Resposta: Veste manequins, as vezes, com poses, inusitadas, com roupas bastante aristocráticas, da Era Vitoriana, porém com detalhe importante, os tecidos utilizados são do oeste do continente africano. O artista faz este embate entre tradição europeia e valores ancestrais africanos, com uma explosão de cores e de memórias.



Diante dos trabalhos de SHONIBARE é impossível não pensar e refletir sobre nossas próprias memórias!




Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores

Arteeblog: Pinturas sobre trabalho ou trabalhadores : Gustave Caillebotte - The Floor Scrapers – 1875 – óleo sobre tela - Musée d'Ors...